Foto: IBGE Fonte: Pinterest
A queda de 1,2% na produção industrial em dezembro de 2025 (em relação a novembro) marcou o encerramento de um ano de crescimento modesto para o setor. De acordo com os dados consolidados do IBGE (PIM), a indústria brasileira fechou 2025 com uma alta acumulada de 0,6%.
Abaixo estão os detalhes mais importantes sobre esse cenário:
1. Desempenho Setorial em Dezembro
O recuo em dezembro foi disseminado, atingindo 17 das 25 atividades pesquisadas. As principais influências negativas vieram de:
- Veículos automotores: Queda de 8,7%, impactando fortemente o índice geral.
- Bens de Capital: Redução de 8,3%, o que indica uma retração nos investimentos em máquinas e equipamentos pelas empresas.
- Produtos Químicos (-6,2%) e Metalurgia (-5,4%).
- Destaque Positivo: O setor de derivados do petróleo e biocombustíveis subiu 5,4%, ajudando a evitar uma queda ainda maior no índice geral.
2. Balanço do Ano de 2025
Apesar da queda no último mês, o saldo anual de +0,6% foi sustentado principalmente por:
- Indústrias Extrativas: Alta de 4,9%, puxada pela extração de petróleo e gás natural (especialmente no Rio de Janeiro e Espírito Santo).
- Setor de Alimentos: Crescimento de 1,5%.
- Regionalmente: O Rio de Janeiro (+5,1%) e o Espírito Santo (+11,6%) foram as locomotivas do ano devido ao setor de óleo e gás. São Paulo, por outro lado, exerceu uma pressão negativa significativa no acumulado anual.
3. Recuperação no Início de 2026
Dados mais recentes mostram uma reversão rápida dessa tendência de queda:
- Janeiro de 2026: A produção industrial cresceu 1,8%, superando as expectativas do mercado e marcando a maior alta desde meados de 2024.
- Fevereiro de 2026: O faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,9%, segundo a CNI, embora a utilização da capacidade instalada tenha permanecido estável em torno de 77%.
Resumo das variações (IBGE):
Período
Variação (%)
Dezembro 2025 / Novembro 2025
-1,2%
Acumulado de 2025 (Jan-Dez)
+0,6%
Janeiro 2026 / Dezembro 2025
+1,8%
A perspectiva de analistas para 2026 é de um crescimento em torno de 0,6% a 1,0%, dependendo da trajetória das taxas de juros e do custo do capital de giro para investimentos em novas plantas industriais.
André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, explicou o fechamento de 2025 e a queda de dezembro com uma visão técnica sobre a perda de fôlego do setor:
“Dezembro mostrou um perfil disseminado de taxas negativas. Este espalhamento de 17 atividades em queda é o maior desde setembro de 2022. Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre.” Disse em entrevista à Jovem Pan.
Ele também destacou que, embora o ano tenha terminado no positivo (+0,6%), isso se deveu quase exclusivamente às indústrias extrativas (petróleo e minério), enquanto a indústria de transformação (que gera mais empregos e tecnologia) sofreu com os juros altos.
“Cai a produção, sobe o preço do carro e o salário continua o mesmo. Como que a indústria vai crescer se ninguém tem dinheiro pra comprar nada? O juro está lá no alto e quem paga a conta é o trabalhador que vê as fábricas fechando.” Comentou o internauta João Silva sobre o assunto em suas redes sociais.





